Às vezes, sem querer ou premeditar me pego vivendo um momento raro, porém incrível. Não me refiro àqueles momentos de grandes reencontros, comemorações ou grandes surpresas. Não que estes nao sejam bons, mas muitas vezes lhes carecem um pouco de verdade no seu acontecimento, já que na sua maioria eles devem acontecer da forma mais correta possível. Há a necessidade de que tudo aconteça da forma mais feliz e “natural” possível. Há essa pressão!
Bom, na verdade, os momentos raros, porém incríveis que eu me refiro são àqueles que você só se dá conta de que eles estão acontecendo quando você está vivenciando eles ou somente depois que eles aconteceram. Momentos bobos ou sem valor para alguns muitos, mas que pelo menos para mim trazem por um segundo que seja um sentimento de plenitude e satisfação. Momentos estes, que quando me lembro deles, se esboça um sorriso que insiste em querer rasgar o meu rosto. Um sorriso bobo, mas sincero que simplesmente brota em meu rosto sem cobranças. Um sorriso gratuito. Um sorriso que não fica marcado na pele de minha face, mas que marcam a minha alma para sempre.
Um desses acontecimentos incríveis foi quando eu simplemente voltava para casa depois da comemoração de aniversário de um amigo e eu caminhava só em uma noite iluminada por luzes em postes de uma rua deserta, solitários sob uma garoa fina, porém densa e constante. Podia-se ouvir apenas o barulho das gotas caindo sobre o chão e sobre as folhas das árvores e o compassado som de meus passos sobre o asfalto molhado. Naquela noite, era apenas eu e o regar da chuva que caía sobre minha face e molhavam os meus cabelos. Uma chuva gelada e preguiçosa, mas gostosa. Por um instante fechei meus olhos e pude sentir mais ainda as gotas que batiam e escorriam sobre o meu rosto. Não me importava que eu estava me molhando. E quando reabri os meus olhos e olhei para o alto pude notar como aquela chuva estava forte. Pude ver, em contraste á lus do poste e a escuridão do céu, as muitas gotas que caíam juntas e preguiçosamente acima de minha cabeça. O melhor de tudo isso foi a trilha sonora que tocava em meus fones de ouvidos, que fez desse momento digno à cena de um filme. Foi como se fosse um pacote fechado a ser vivido que pôde ser aberto por mim naquela memorável noite.