“Sinto falta de me apaixonar de um jeito intenso e inocente… de um jeito adolescente… de um jeito impossível de re-acontecer….” [por Ítalo Rogério]
Viver é se apaixonar constantemente pela vida e pelos prazeres, sentimentos e gostos que ela nos proporciona. Aquele que vive (no sentido mais pleno) é aquele sempre tão apaixonado pelo que faz, pelo que tem, pelos seus sonhos, pelos seus prazeres, pelos que estão a sua volta e por ele mesmo. Se apaixonar simplesmente é viver. Viver intensamente.
A vida é resultado do sopro divino de paixão. Ao mesmo tempo tão forte e tão delicada. Recheada de abiguidade e contradições. Tão árdua e prazerosa. Sem sentido mas na eterna procura de signicados. Viver é se deixar levar pela paixão, sem se prender a qualquer moralismo. O moralismo é o maior inimigo da paixão. A razão é também antagônica à paixão. Ou seja, é contra a vida!
Aquele que se apaixona pela vida é o louco, sem razão. É o que está no manicômio do manicômio! O eterno apaixonado é pisoteado pela sociedade, pela religião, que em nome do amor, assassina muitos apaixonados…
A imposição de uma mentalidade puramente racional sobre cada um de nós faz crescer dentros dos nossos espíritos uma fobia à paixão. A cada dia se cresce a imposição do medo de se apaixonar. Cresce o medo de viver. O apaixonado é tão marginalizado na sociedade por cometer o crime de seguir atrás dos próprios sonhos. E impedido de se apaixonar, o ser indigna-se. Revolta-se. Aí, a loucura da paixão reprimida se manifesta em ódio, em desrespeito e em intolerâcia. Em outros, essa paixão eternamente coibida nas entranhas mais profundas do seu espírito transforma-se em tristeza e em vazio… Assim, anula-se e apaga-se a razão de sua própria existência, se condenando assim a vagar eternamente na vastidão do universo sem propósito algum…
Assim, observa-se uma multidão de andarilhos errantes vagando, sem paixão, sem sonhos e sem vida.